8 de out de 2009

Nova velha

Sabe aquele tipo de amiga velha-nova que você vive chamando pras baladas mas, ela sempre tem uma desculpa de velho pra te dar? Do tipo, você a chama pra ir dançar toda empolgada e ela pergunta: mas, lá tem lugar pra sentar? (Como assim? A última coisa que você quer numa boate é ficar parada, que dirá sentada). Pois é, eu tenho uma amiga assim. Antes de ir pra balada ela liga pro lugar e pergunta quantas pessoas cabem sentadas e quantas cabem em pé, daí ela faz as contas pra tirar a média e saber a que horas ela tem que chegar no lugar pra não correr o risco de ficar em pé na night (ela é a velha mais nova que eu conheço!). E o pior é que ela sempre quer te fazer desistir da sua saída pra você fazer a saída dela. Assim, enquanto você e metade da cidade quer ir naquele show badaladíssimo que foi anunciado a 3 meses atrás, ela simplesmente quer que você desista de ir pro show e vá com ela prum barzinho desses ou pegar um cineminha porque ela não gosta de confusão e barulho. Aliás, diversão pra ela é o bingo ou a feirinha! Tanto faz, vá com ela ao bingo que você vai vê-la toda arrumada e faceira ou chame-a pra passear na feirinha que vai ser o supra-sumo do divertimento pra ela.

Santa tecnologia

Por falar em sacrifícios em nome da vaidade (minha mãe de touca no cabelo, lembra?), a gente tem todo um aparato bélico pra domar os nossos fios e também o nosso corpicho e ainda reclamamos por causa disso. As mulheres mais novas tem que dar Thanks God por não precisarem passar o que as nossas antepassadas passaram para não ficarem passadas antes do tempo, capiche? Sacrifício (e loucura) era bezuntar o corpo de Coca-cola, para ter um bronzeado bonito (e queimaduras de terceiro grau). Sacrifício era enrolar o cabelo em volta da cabeça, prendê-lo com grampos, colocar uma meia de náilon por cima e depois de ter que ficar assim o dia todo. Ter que repetir o processo, só que para o outro lado e ficar a noite toda assim (parecendo a Tonhão da TV Pirata). Ou seja, você passava cerca de trinta horas sem botar os pés pra fora de casa, quiçá, pra fora do quarto, esperando o seu cabelo ficar lindo e liso. Imagina teu marido te vendo assim? Não era à toa que não existia diálogo entre marido e mulher (com um visual desses, o homem não tinha nem palavras, muito menos a mulher).
E aquelas que queriam o inverso e usavam bobs no cabelo pra ficar cacheado mas, tinham que sair na rua pra ir na padaria, supermercado entre outros afazeres. Coitadas... tinham coragem de sair daquele jeito mas, não tinham coragem de assumir aqueles rolos horrorosos no cabelo e disfarçavam com um lencinho mequetrefe.
Do que eu estou falando? Isso aconteceu comigo uma vez. Fui de carro no salão, que era longe da minha casa, colocar rolos no cabelo (o famoso bobs) pra ficar com o cabelo cacheado e ir numa formatura à noite. Na volta do salão, ainda de bobs, coloquei o capuz do casaco em cima da cabeça, torcendo pra não ter ninguém na rua e voltei dirigindo, também torcendo pra nenhum motorista me ver daquele jeito. Mas, como não torci direito, avistei de longe uma blitz no meio do caminho e pior, sem chances de encontrar um retorno milagroso pra direção oposta. Não deu outra. Fui parada e passei uma das piores vergonhas da minha vida. O guarda me olhou com cara de espanto e depois percebi sua cara de riso (aquele risinho sacana no canto da boca prestes a aumentar até cair numa tremenda gargalhada). Eu já fui logo mostrando os documentos e fingindo que não tinha nada na minha cabeça, tentando agir com a maior naturalidade mas, o filho da p... do guarda, além de lindo, era sádico e quis verificar todas (TODAS) as condições do carro. Me mandou sair do carro e foi verificar o extintor, pneu, faróis e etc. Eu ali, parada na calçada, olhando fixamente para o chão, como se tivesse cometido um crime. Tirei o capuz na tentativa de amenizar o inamenizável e fazer com que as pessoas entendessem que aquilo era apenas um processo temporário para deixar o cabelo mais bonito e que todas as mulheres na face da Terra faziam isso mas, a única coisa que me vinha na mente era: puta que pariu, nunca mais quero ter cabelo! Terminada a inspeção do guardinha salafrário, peguei meu carro e não mais que de repente me pirulitei de lá sem nem olhar pelo retrovisor. Provavelmente veria aquele bando de guardinhas rindo às minhas custas (eu também riria, se tivesse no lugar deles e ainda aplicaria uma multa na mulher, pra deixar de ser ridícula). Cheguei em casa petrificada e ainda tive que ficar o resto do dia com aquilo no cabelo, para só tirar 5 minutos antes de sair pra festa. Surpresa a minha foi chegar no local da festa e descobrir que meu cabelo estava mais liso do que se tivesse passado a chapinha (malditos sejam os bobs da face da Terra!).
Hoje em dia é tudo muito mais fácil. Temos a tecnologia à nosso favor. Até a depilação é mais indolor, deitamos numa maca e temos os pêlos do corpo retirados à laser e gás gelado, em menos de vinte minutos (olha que maravilha!). E já dizia o velho ditado: de graça até injeção na testa. Mas, em nome da beleza, as pessoas estão é pagando pra levar essa tal injeção. O único problema desses tratamentos de beleza é o preço. Existem tratamentos que custam o preço de um carro novo, ou seja, você fica linda mas, vai pra casa a pé (olha que maravilha!). Por isso não existe mulher feia, existe é mulher pobre!

Barulho debaixo do bloco

Quem me dera morar numa mansão bem grande, com o vizinho mais próximo a quilômetros de distância, onde só se ouve o barulho do silêncio. Mas não. Vim morar num apartamento de frente pra comercial e que fica no meio do caminho pros bares da cidade. Resultado: chove bebum fazendo arruaça e acordando a vizinhança de madrugada. Aliás, esse problema dos bares perto da área residencial só não incomoda quem não mora perto dos bares.
É sempre a mesma ladainha. Os grupinhos sempre param em frente ao meu bloco e ficam batendo papo (esse papo ecoa pelo bloco todo e parece que estão dentro do meu quarto) mas, o pior que ter que agüentar o barulho do papo é o teor desse papo. Já que a maioria de arruaceiros é masculina, eu acabei descobrindo o que os homens realmente pensam das mulheres e que só dizem quando estão bêbados e na companhia de outros homens. Ou seja, por um lado, fico num ponto estratégico para descobrir os segredos masculinos e acabo me sentindo como uma mosquinha no clube do bolinha.
Grande coisa, eles só falam o que as mulheres estão carecas de saber, sexo, sexo e sexo. Sem meias palavras, eles descrevem sim, a transa que tiveram, mais a boa do que a ruim, se foi ruim a culpa foi da mulher que não soube fazer direito (nunca, jamais, em tempo algum, a culpa é deles). Também dizem em alto (muito alto) e bom som todas as fantasias sexuais que fazem com as mulheres (e todas se resumem a uma só, comer o c...)! E não pensem, vocês leitoras, que eles são discretos, nãnãninãnão! Eles dão detalhes e citam nomes! Pois é, eu sei por exemplo, que a Luciana só dá o c... pro Gustavo (ele acha isso) e que a Patrícia não pode dar o c... pra ninguém porque é muito magra e se o Paulo pegasse ela, ia rachar no meio! (E eu sou obrigada a ouvir esse tipo de coisa toda noite, minha gente!? Help me!).
E para finalizar, eles sacaneiam com requintes de crueldade o amigo que pegou uma baranga (e teve a cara de pau de dizer que era porque estava bêbado). Quando fazem aquele pitstop pra desaguar na árvore, ou no poste (ou no que estiver mais próximo), aproveitam pra dar aquele tapa na pantera e a fumaça teima em subir pro meu quarto (quantas vezes fui dormir às gargalhadas e na manhã seguinte tive que explicar aos meus pais que eu não era usuária de drogas).
Isso tudo sem contar com a visão ultrajante do meu pai vestido de cueca furada e puída (praticamente um nada tapando coisa alguma) correndo pela casa, gritando pega ladrão porque sempre tentam roubar o carro dele. E ele sempre corre que nem louco, querendo descer armado e só de cueca (talvez isso traumatizasse os ladrões, a cueca e não a arma) e a minha mãe de touca no cabelo, correndo atrás dele tentando vesti-lo com uma bermuda (adivinha o estado das bermudas dele?). Enfim, essa é uma das minhas típicas noites de sono.

11 de jun de 2009

O concurseiro de Kabul

Crise da metade da meia-idade. Já dizia uma amiga: "eu não sei se caso ou se compro uma bicicleta". Pois é, tô nessa fase, sem eira nem beira, não sei se vou ou se fico. Se moro em Itacaré e como o que eu plantar ou se faço concurso pra técnico de gesso no interior de Pindamonhangaba. Por falar nisso, essa história de concurso é mesmo interessante, pra não dizer estressante. Aqui em Brasília a população é dividida em semi-deuses e povinho. Quem passa (e é convocado) em concurso público é da metade dos semi-deuses, já a metade que não é concursada é da população-povinho. Quem nunca se sentiu entediado em uma roda de amigos onde o assunto principal são dicas de estudo pra passar em concurso?! Ou, quando eles comentam sobre questões de prova (bem no meio das festas)! Que chatura! Quando você passa 5 horas fazendo uma prova, a última coisa que você quer é lembrar dela nas suas 5 horas (ou semanas, dependendo de como você foi) de lazer seguintes! Como aqui na terrinha todos querem seu lugar ao sol, proponho que os escritores mudem os títulos de seus livros, se quiserem vender mais por aqui. Tipo:
"Como passar em concurso com a força do pensamento."
"O segredo da mente multi-milionária do concurseiro."
"O crepúsculo do segredo da força do pensamento de como passar em concurso público."
"Como passar em concurso público - com mistérios."
"A verdade sobre a mentira dos concursos públicos."
"O que toda mulher inteligente deve saber sobre concursos públicos mas, tem vergonha de perguntar."
"Por que homens fazem sexo e mulheres passam em concurso."
"Nunca desista dos seus sonhos de concurseiro."
"O caçador de pipas e de concursos."
“A menina que roubava livros de concursos."
"Quem mexeu na minha vaga de concurso?"

18 de mai de 2009

Maconhização da legalidade


Dia desses vi uma manifestação à favor da legalização da maconha (todas as manifestações com esse tema são iguais, só muda o argumento). Esse ano o argumento dos manifestantes é que cada maconheiro deve ter o direito de plantar a sua própria maconha para que só assim não precisem financiar o tráfico (quanta ingenuidade!). Será que eles acreditam mesmo nessa pataquada?
Ó a situação: cada usuário vai plantar seu pézinho, aguar, colocar adulbo, esperar semanas pra crescer e finalmente colher (haja paciência).
E se ele quiser plantar grandes quantidades pra não "passar necessidade", vai ser apenas mais um agricultor? (Vai plantar batata que é mais nutritivo).
E o que vai acontecer na entresafra? O sujeito vai no vizinho pedir um bocadinho ou vai no traficante que tem toneladas e toneladas prontinhas pra ele usar? E se ele der um pouquinho para o seu vizinho necessitado, isso será considerado só um favorzinho? (O tráfico vai continuar, só vai mudar de nome, vai se chamar Troca-troca da Maria).
Outra questão, traficante que se preze diversifica seus negócios, não coloca todos os ovos numa cesta só (e a cocaína, o crack, a merla e o diabo a quatro, vão pra onde? Vão querer legalizar também?). A maconha é só a ponta do iceberg, minha gente.
E os maconheiros ainda têm a cara-de-pau de citar a Holanda como exemplo. Tenha dó. Uma zona liberada exclusivamente para o uso de drogas? Pois é, virou uma zona mesmo, ficou imunda e degradada, todo o comércio ao redor morreu e as brigas são constantes naquele local. Parece até a Cracolândia em São Paulo, que nem é legalizada (imagina se fosse!).